Abra o coração




“Em mim habitam muitas limitações, preconceitos e insensibilidades.
Às vezes tão incisivas que me fazem olhar para mim de forma rígida, cheias de “ses” e “devias".
Critico-me a mim, aos outros, às coisas, aos ricos, aos pobres, aos muçulmanos, aos cristãos, aos gays, aos do norte, aos do sul,
sempre com a dose certa de malícia, suficiente para obscurecer a minha bondade, empatia, compaixão, solidariedade.
Tudo isso por medo, por tomar partido, por proteção, por vaidade, por supremacia, talvez até por sobrevivência.
Dia a após dia, vou ficando encarcerado pela minha maledicência que me afasta do amor.
O amor, tantas vezes esquecido. Justifico esse esquecimento pela mágoa, pela “casca” dura que o olhar com desdém construiu.
Vivo dentro dessa fortaleza que me afasta da humanidade,
que me mantém longe da expressão livre e simplista da minha mais profunda natureza.
Nos recônditos da prisão que construí á minha volta, sempre no pressuposto de me proteger, de afastar “aqueles” que julgo serem diferentes (piores), Isolei-me de todos, inclusive dos que julgo serem iguais a mim.
Olhei mais profundamente e à minha volta vi tantos iguais a mim, também eles presos nas suas prisões construídas por eles próprios.
Eu, eles, e os outros, estamos vivendo em prisões que nos obrigam a distanciarem-nos,que nos obrigam a deixarmos de nos expressarmos livremente com as convicções que deveriam ser respeitadas. Que nos impedem de nos ajudarmos,
que nos impossibilitam de nos olharmos como iguais num mundo que é de todos e para todos. Talvez todos, eu você e os outros devêssemos abrir as nossas próprias prisões (corações) e contribuir para que outros abram também as portas das suas próprias prisões (corações). Corações abertos são a expressão de uma alma fraterna.
Vamos abrir os nossos corações.”

- Miguel Lucas

HIURI DE LA ROSA

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