“A simplicidade é o último grau da sofisticação.”


Quem é o autor dessa frase? Um carinha sem importância para humanidade: Leonardo Da Vinci.
Da Vinci é considerado a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido. A profundidade e o alcance de seus interesses não tiveram precedentes e sua mente e personalidade parecem sobre-humanos para nós. 

O que o gênio quis nos mostrar com essa afirmação? Leonardo conseguiu entender o que a maioria de nós ainda não conseguiu, ou sequer conseguirá entender: A felicidade está nas pequenas coisas. Entendeu também que no final das contas, ser feliz é simples. Difícil é ser tão simples. Ser simples é ser grande e o essencial é invisível aos olhos.

Você já parou para pensar, como seria a sua vida sem a felicidade mascarada das redes sociais? Sem a necessidade de mostrar o lado bonito da sua vida e ocultar tudo aquilo que pode parecer feio para as outras pessoas?

Lembra-se de quando não vivíamos imergidos nesse grande teatro digital? Consegue se lembrar do sabor daquele lanche do trailer da sua rua? Do guaraná no saquinho e da paçoquinha do Bar? Não tinha nada de gourmet. Éramos nós vivendo a vida na sua totalidade, sem maquiagem. 
Talvez hoje, essa mesma cena cotidiana fosse retratada aqui, descaracterizada com os filtros e a sofisticação desnecessária. Tudo precisa ser bonito. Mas afinal, o que é realmente belo?

O que é “engraçado” (seria cômico se não fosse trágico), é que no meio dessa loucura toda, no fundo o que nós buscamos é o simples. Trocamos o nosso tempo por dinheiro, para conseguirmos viajar no fim de semana para fazer coisas simples. Jogar futebol com o filho, ler por prazer, assistir um filme com a namorada, comer o pão caseiro da vovó etc.

A verdade é que toda essa enxurrada de falsas vidas perfeitas que nós vemos principalmente na internet, gera uma competição desnecessária alimentada pela necessidade de provar que a nossa vida é mais legal, agitada, cheia de adrenalina e chique que a do nosso amigo da escola, do nosso irmão da igreja ou daquele familiar chato. Existe em nós a necessidade de afirmação e, para isso, utilizamos as armas que nós temos. Ninguém publica os bastidores, a coxia. 
 
Gostaria de deixar bem claro que escrevi esse texto principalmente para mim. Tenho pensado bastante sobre isso. Recentemente, fiquei três dias sem Internet. A experiência me mostrou que eu perco muito tempo com atividades fúteis. É o feed do Facebook, as fotos dos amigos no Instagram, um vídeo novo de piadas no Youtube etc. Não que todas essas coisas não sejam legais, mas eu entendi que eu gastava mais tempo do que eu deveria nesse lance todo. Sem internet, consegui fazer coisas que eu “jurava” não ter tempo para fazê-las.

É fantástica a oportunidade que a internet e as suas ferramentas proporcionaram ao mundo. Democratizou o acesso à informação e possibilitou a divulgação do trabalho de pessoas que antes desse novo cenário, seriam anônimas. É o tão sonhado “espaço no mundo”. Transformou a forma de trabalho e isso é realmente positivo. Soluções inovadoras surgiram e continuam surgindo dias após dias. Não quero militar contra a tecnologia, até porque eu a utilizo constantemente nos estudos, no trabalho e na comunicação. A reflexão aqui é: Qual o preço da modernidade? 

Nesse ano, li muitos desabafos sobre esse frenesi digital. Artistas que perderam o foco na sua obra por estarem mais preocupados com os Likes e com os comentários no facebook do que com o conteúdo que estavam produzindo, mulheres que se arrumavam e se maquiavam só para publicar foto nas redes sociais, e depois se “desmontavam” para ficar em casa com o marido. Será que nós estamos conseguindo sentir o sabor daquele prato “lindo de bonito” do restaurante cool que postamos ontem no Instagram ou estávamos mais preocupados com a edição e publicação da foto, para que as outras pessoas vejam que nós “temos o poder”? 

Que nós trabalhemos muito e em silêncio. Que deixemos o nosso sucesso fazer barulho. 

Não me assustarei se daqui a alguns anos as nossas crianças acreditarem que melancia é fabricada no Shopping. Eu já me sinto um pouco parte daquela geração de idiotas que Einstein previu (apesar de não haver provas contundentes sobre a autoria dessa frase). Tenho a sensação de que me roubaram de mim com o meu consentimento. Estamos condenados? Não! O segredo é encontrar o equilíbrio. Faça uma autoanálise. Não são todas as pessoas que perecem por esse mal. 

Que saudade daquele tempo que uma pipoca com sazon da vó Jacira, dois filmes VHS da locadora, primos, um travesseiro e um chão fresquinho no verão nos fazia felizes. Acordar de manhã com o andar tranquilo da dona Jacira indo passar aquele café gostoso. O “clube do bolinha” na horta, a fogueira improvisada para assar batatas, a trilha pela mata, atravessar a cidade de bicicleta procurando bambus, voltar para casa e fabricar as próprias pipas. Minha vó continua lá, firme, forte e riquíssima na sua simplicidade. Eu é que preciso me encontrar. Não me canso de devanear.

HIURI DE LA ROSA

Um comentário :

Obrigado por entrar em contato conosco. Esperamos que tenha momentos agradáveis tomando esse Chá Conosco. Em breve responderemos.